O TRIBUNAL COMO ESPAÇO NARRATIVO NO CINEMA JURÍDICO: DISPOSITIVOS NARRATIVOS E A RETÓRICA DA JUSTIÇA

Autores

  • José Eduardo Pedrosa Dantas
  • Williana Pereira Garcia

Resumo

O presente artigo analisa a representação do tribunal no cinema, investigando como filmes de julgamento utilizam recursos narrativos e retóricos para construir discursos sobre justiça, verdade e legitimidade institucional. A partir de uma abordagem interdisciplinar que articula direito, teoria narrativa e estudos culturais, o estudo examina de que forma a linguagem cinematográfica transforma o espaço judicial em um elemento central da narrativa, no qual conflitos morais, sociais e políticos são encenados e interpretados pelo público. O trabalho fundamenta-se em referenciais teóricos provenientes da teoria do cinema e da retórica clássica, com destaque para as contribuições de Bordwell e Thompson sobre a estrutura narrativa, para a distinção entre história e discurso proposta por Chatman e para os princípios aristotélicos de ethos, pathos e logos. Esses elementos permitem compreender como o cinema organiza informações, mobiliza emoções e constrói argumentos persuasivos de modo semelhante ao discurso jurídico. Para ilustrar essas dinâmicas, são analisadas três obras representativas do gênero: Doze Homens e uma Sentença (1957), de Sidney Lumet; O Julgamento de Nuremberg (1961), de Stanley Kramer; e O Povo contra Larry Flynt (1996), de Miloš Forman. A análise evidencia como recursos como flashbacks, enquadramentos dramáticos e organização seletiva da narrativa contribuem para transformar o tribunal em um espaço simbólico de disputa entre diferentes versões da verdade. Além disso, o artigo discute o impacto cultural dessas representações, destacando que o cinema jurídico influencia a percepção social sobre o funcionamento da justiça e sobre o papel dos profissionais do direito. Contudo, também são apontados os limites dessas representações, uma vez que os filmes frequentemente simplificam procedimentos legais e reforçam arquétipos idealizados da advocacia. Conclui-se que os filmes de tribunal exercem papel relevante na construção do imaginário coletivo acerca da justiça, ao mesmo tempo em que revelam as tensões existentes entre ficção cinematográfica e prática jurídica.

Palavras-chave: cinema e direito; narrativa cinematográfica; filmes de tribunal; retórica jurídica; cultura legal.

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Publicado

2026-03-29