MATERNIDADE ATÍPICA E QUALIDADE DE VIDA: VIVÊNCIAS DE MÃES APÓS O DIAGNÓSTICO DE TEA

Autores

  • Camila Carla Dantas Soares et al.

Resumo

O diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) em uma criança desencadeia, na maioria dos casos, um processo emocional profundo e duradouro para as mães, que geralmente assumem o papel principal no cuidado cotidiano. Este artigo tem como objetivo analisar os efeitos emocionais e sociais vivenciados predominantemente pelas mães após o diagnóstico de TEA e compreender como essas experiências impactam sua qualidade de vida. A partir de uma análise integrativa de estudos científicos nacionais e internacionais, a pesquisa evidencia que as mães enfrentam sentimentos de tristeza, culpa, medo, ansiedade e exaustão, além de vivenciarem um isolamento social progressivo. A ausência de acolhimento no momento do diagnóstico e a sobrecarga imposta por papéis de gênero cristalizados contribuem para o adoecimento emocional e para a fragilização das redes de apoio. Os resultados apontam que a qualidade de vida dessas mulheres está diretamente relacionada à existência (ou ausência) de suporte emocional, psicossocial e institucional. Conclui-se que, para além da escuta e da empatia, é necessário que as políticas públicas reconheçam a maternidade atípica como um marcador de vulnerabilidade, promovendo estratégias de cuidado compartilhado e humanizado que também contemplem a saúde mental das mães. O sofrimento materno precisa ser compreendido como um reflexo da desigualdade no cuidado, e não como uma consequência individual da maternidade. Palavras-chave: Autismo. Mães. Sofrimento emocional. Acolhimento. Qualidade de vida.

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Publicado

2025-08-05