A SOCIEDADE PALIATIVA E A NEGAÇÃO DA DOR NA CONTEMPORANEIDADE

Autores

  • Ana Cláudia Medeiros et al.

Resumo

Este artigo analisa a obra Sociedade Paliativa de Byung-Chul Han, discutindo a forma como a sociedade contemporânea desenvolveu mecanismos de negação e anestesia da dor. A partir de uma abordagem teórica e bibliográfica, o estudo investiga como práticas como a medicalização excessiva, o consumo desenfreado, o entretenimento contínuo, o uso intensivo das redes sociais e o culto ao desempenho funcionam como estratégias de alívio imediato do sofrimento, impedindo sua elaboração simbólica e emocional. O artigo dialoga com autores como Sigmund Freud, Zygmunt Bauman e Hannah Arendt para aprofundar a compreensão dos efeitos sociais e subjetivos da fuga da dor, destacando a fragilização dos vínculos humanos, o empobrecimento do pensamento crítico e a imposição de uma positividade excessiva. Conclui-se que, ao negar a dor como parte constitutiva da experiência humana, a sociedade paliativa não elimina o sofrimento, mas o torna difuso e silencioso, contribuindo para o aumento do esgotamento psíquico e da desumanização. Reconhecer a dor, portanto, apresenta-se como um gesto ético e reflexivo essencial para a construção de uma vida mais autêntica e consciente.

Palavras-chave: Dor; Sociedade paliativa; Positividade; Subjetividade.

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Publicado

2026-05-06