MEMÓRIA E ANCESTRALIDADE: A PEQUENA ÁFRICA NO ENSINO DE ARTE

Autores

  • Artur Batista de Oliveira Rocha

Resumo

O objetivo desta pesquisa é analisar a relevância da Pequena África, localizada na zona portuária do Rio de Janeiro, como patrimônio cultural, artístico e educacional, relacionando sua história às diretrizes do ensino de Arte estabelecidas pela Lei nº 10.639/2003. Essa região, marcada pela presença e resistência da população negra, constitui um espaço simbólico que guarda memórias, tradições e expressões culturais fundamentais para compreender a formação da identidade brasileira. Ao longo dos séculos XVIII e XIX, o local recebeu milhares de africanos escravizados, transformando-se em um dos principais centros de preservação cultural e de resistência política, onde manifestações como o samba, a capoeira, os cultos de matriz africana e a culinária afro-brasileira se consolidaram como referências da cultura nacional. A pesquisa foi desenvolvida a partir do método bibliográfico, com base em fontes consultadas em plataformas reconhecidas como Google Acadêmico, Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e Scientific Electronic Library Online (SciELO). Essa metodologia permitiu reunir e analisar diferentes perspectivas teóricas que tratam das relações entre memória, identidade e educação, possibilitando uma reflexão crítica sobre o papel da Pequena África no campo artístico-pedagógico. Os resultados apontam que a valorização da Pequena África contribui diretamente para a efetivação da Lei nº 10.639/2003 no ensino de Arte, uma vez que o reconhecimento da cultura afro-brasileira nas escolas promove não apenas o combate ao racismo estrutural, mas também a construção de uma educação mais inclusiva, plural e democrática. O estudo mostra que o professor de Arte tem um papel importante nesse processo. Ele funciona como um intermediador cultural, ajudando os estudantes a transformar experiências estéticas em algo que fortalece a identidade, aumenta a autoestima e faz com que se sintam parte de um grupo. Conclui-se que integrar a memória e a ancestralidade afro-brasileira no currículo escolar é um passo indispensável para consolidar práticas pedagógicas antirracistas, valorizar a diversidade cultural e contribuir para a formação de cidadãos críticos e comprometidos com uma sociedade mais justa. Palavras-chave: Pequena África; Cultura Afro-Brasileira; Patrimônio Cultural; Ensino de Arte; Educação.

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Publicado

2026-01-21