INCLUSÃO E DESIGUALDADES NO USO DE ALGORITMOS EDUCACIONAIS FUNDAMENTOS DA JUSTIÇA ALGORÍTMICA E IMPLICAÇÕES PARA A PRÁTICA PEDAGÓGICA
Resumo
Este artigo analisa como o uso crescente de algoritmos educacionais em plataformas digitais de aprendizagem, avaliação e gestão pode produzir efeitos desiguais entre estudantes, especialmente em contextos marcados por assimetrias sociais e digitais. Com base nos fundamentos da justiça algorítmica, discute-se que tais sistemas não operam de forma neutra, pois dependem de dados históricos e de modelos que podem incorporar vieses e reforçar classificações que restringem oportunidades pedagógicas. A abordagem metodológica é qualitativa, de natureza bibliográfica e documental, com análise de conteúdo de produções científicas e documentos institucionais sobre o tema. Os resultados apontam que a opacidade dos critérios algorítmicos, a governança insuficiente de dados e a adoção acrítica de recomendações automatizadas podem reduzir a autonomia docente e intensificar processos de exclusão. Na discussão, defende-se a necessidade de transparência, auditabilidade e formação docente para leitura crítica dos sistemas, além de políticas institucionais que orientem escolhas tecnológicas comprometidas com equidade e proteção de direitos. Conclui-se que a inclusão em ambientes mediados por algoritmos depende de uma mediação pedagógica consciente e de mecanismos de responsabilização capazes de limitar a reprodução de desigualdades.
Palavras-chave: Justiça Algorítmica; Algoritmos Educacionais; Inclusão; Desigualdades; Prática Pedagógica.